quarta-feira, 6 de junho de 2012

a segunda pele



Quando um artista rompe
com a matéria de que é feito
equivale para o mundo
à descoberta da própria textura

Mais do que um público
a verdadeira arte abriga
usuários ambientes e conexões
cada obra se descobre participação e diálogo

Coexistem no objeto estético
realidades seres flutuantes inevitáveis
múltiplas arquiteturas simbólicas
o cortejo da infinita reprodutibilidade

A arte intervém como dobra
criação delirante libertação
por hipertrofia elemento aberrante
no jorro da vida

O habitat da poesia é a topografia
instável e transformadora do delírio
sonho tangível arte
não é resultado é resto

E o que resta é um esforço
para repotencializar a realidade
aumentá-la com metáforas deformar
saturar (ou subtrair) sentidos

A arte não transforma o mundo,
nem o artista mas revela percursos
imprevisíveis desconcertantes mentiras
aço e alabastro eterno simulacro

O artista ergue sua paisagem
de ocultas revelações geologia
de superfície cujo desabamento
contínuo soterra nosso frágil cotidiano

quinta-feira, 31 de maio de 2012

CALDEIRA DADA DIVERSIDADE
na SERRALHERIA

ARTE: execução de finalidade prática ou teórica, realizada de forma consciente, controlada, racional. Houaiss, 2001.
SAÚDE MENTAL: demanda projeto em que se conjuga num mesmo espaço o tratamento e a reabilitação. Uma clínica capaz de tomar a fala do paciente não pelo reconhecimento do sintoma, mas como produção de sujeito social. Goldberg, 1994.
DIVERSIDADE: qualidade daquilo que é diverso, diferente, variado, variedade. ECO índice que leva em conta a abundância de uma comunidade. Houaiss, 2001.

16 de junho 2012 FESTA JUNINA 16 -21hs

Bazar, música e poesia, exposição -Nosune com das obras de Tatiane Mayer e Gregório Delgado (filmes, poesia e quadros), dj, Programação visual e Espaço Infantil


rua guaicurus, 875 lapa

quarta-feira, 30 de maio de 2012

paisagem




a rua escurece azul
os topos ainda refulgem
a incandescência curta última
respiração da glória-lume

lâmpadas despertam
nos postes indefinidas
figuras na calçada
e o céu a explodir magentas

morros recortam horizontais
silhuetas pardos monumentos
contra o dia violeta
a invasão silenciosa do roxo

o vulto desenha na paisagem
radial volumes de concreto
tudo em volta a remoinhar
a espuma rala das nuvens

sábado, 26 de maio de 2012

vida amor poesia verdade


quando uma verdade se torna a verdade
de todos
já não é de nenhum

a poesia tece a miragem
dos mundos
que o mundo não soube ser

o ente doa ao amor a presença
o mundo,
a falta

a vida é a obra de um sonho
em acontecimento